Porque é que a vida é cruel para as pessoas quando elas fazem boas acções? Porquê? É assim, eu sou uma rapariga de vinte anos na faculdade de medicina, queria ser médica para ir ajudar os habitantes dos países sub-desenvolvidos, de boas famílias, digamos que tenho uma família muito rica, mas somos muito simples. Sempre que há campanhas de solidariedade nós contribuímos, ajudamos algumas pessoas desfavorecidas. Mas há quatro dias atrás tudo mudou, tudo deixou de ser perfeito. Acordei a meio da noite com um barulho, fui ver de onde vinha. Quando chego ao quarto dos meus pais vejo o meu pai deitado com um fio de sangue a sair dentro dele ainda tentei reanima-lo, mas nada, ele já estava morto, alguém o tinha morto com uma bala no peito, porquê? Ele ajudava as pessoas, o seu trabalho era na ONU, trabalhava para um mundo melhor! Sem guerra, sem armas e por ironia do destino morreu por causa de uma arma. Levantei-me e fui buscar o telefone para ligar ao 112. Mas a caminho senti uma pancada muito forte na cabeça, quando acordei estava no meu quarto, pensei que aquilo tivesse sido um sonho, quer dizer um pesadelo mas não, estava cheia de dores no sítio da pancada.
Quando vejo dois homens a aproximarem-se de mim, disse-lhes para levarem o que quisessem e para não fazerem mal a mim e à minha mãe. Eles riam-se do que eu dizia e responderam-me que à minha mãe já ninguém podia fazer mal que ela já estava com os anjinhos. Eles aproximavam-se mais de mim e eu só tentava dar-lhes pontapés e tentar-me proteger daqueles monstros. Tentei, e tentei acertar neles mas mesmo assim um agarrou-me nas pernas enquanto outro rasgou-me o pijama ficando apenas em cuecas.
Quando o que estava a segurar-me as pernas as tentou abrir eu fiz o máximo de força para ele não conseguir e gritei que eles me podiam matar à vontade, mas só pensava que tinha de ser o mais depressa possível, e ele só murmuravam que eu era boa demais para matar e não ser “aproveitada”. Não aguentei mais a força que ele fez sobre mim e cedi. Só sinto ele a rasgar as minhas cuecas e a penetrar-me, senti-me como lixo, a minha primeira vez, tinha sido com os sujeitos que tinham morto os meus pais, sim… porque foram os dois e ambos sem preservativo. Senti-me nojenta e o pior é que quando iam para me matar, o que eu desejava naquele momento, ouvi as sirenes da polícia, quem é que a chamou?! Deve ter sido algum vizinho .. Vi-os a fugirem, não sabia se tinham sido apanhados ou não mas naquele momento não me interessava. Tentei-me levantar, e quando o consegui fui ao quarto dos meus pais. Passei pelo meu pai e abracei-o eu já sabia que tinha falecido mas queria abraça-lo de novo. Depois fui ter à cama deles e vi a minha mãe, ela já não foi morta com uma arma mas sim com uma faca, tinha muitas facadas pelo seu corpo, apenas tive a reação de a abraçar e depois de pousar o meu corpo ao seu lado. Passados segundos os paramédicos estão de volta de mim. Levaram-me para o hospital e fizeram-me o kit de violação, foi muito doloroso porque sentia-me mal com aquilo, senti-me suja, abusada, senti-me como lixo! E hoje passado quatro dias desde o sucedido, conseguiram apanha-los, e não graças a mim mas sim graças a uma criança quando deu que alguém estava a assaltar a casa dela, escondeu-se e ligou ao 112. Depois cruzaram os dados do meu kit com o assalto da casa da criança. Já se passou um ano desde que os meus pais faleceram, os seus assassinos já foram presos, eu tive de repetir o ano na faculdade devido à violação. E ainda não consigo chegar ao pé de um rapaz que tenho logo um ataque de nervos, muitas vezes sonho com aquela noite e tenho consultas com uma psicóloga todos os meses duas vezes. Mas tenho sempre as minhas amigas do meu lado que me ajudam muito. Saímos à noite como antes, desde que não haja nenhum rapaz que se chegue ao pé de mim estará tudo bem. Mas passo os meus dias a perguntar o porquê de tudo isto, terá sido Deus a querer? Mas ele deu-me uma segunda oportunidade e é o que me alegra mais e me dá força para continuar a viver e a lutar. Mas será que algum dia voltarei a conseguir estar com um rapaz?“Pará de reclamar da vida e faça algo para a mudar, mova-se, saia do canto, ficar parado é para fracos, os fortes vão á luta. ” - Bob Marley

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